Eu e *Jaqueline tínhamos doze anos e éramos grandes amigas, melhores amigas. Mas eu sempre soube que nossa amizade não duraria muito tempo.
Jaqueline era autoritária, briguenta, nervosinha e cheia de fantasmas na cabeça.

Eu? Bom, eu era igualzinha a ela.
A gente aproveitou o período da nossa amizade pra inventar coreografias pros concursos de dança do colégio, ir nas primeiras festas adolescentes de nossas vidas e conhecer garotos bonitos e legais, pra ver clipes do Queen, colocar apelidos nos integrantes de nossas bandas favoritas em códigos que só nós entendíamos, pra querer montar uma banda de rock e pra fazer com que todos os alunos acreditassem que nós éramos as garotas mais bonitas e legais da escola. Mas é, nenhum de nossos planos deu certo. Nossa amizade também não.

Até aí tudo bem, nenhuma surpresa, nada demais.
A única parte da história que me magoa é a que eu não contei: depois do fim da grande amizade pré-adolescente minha e de Jaqueline, fomos obrigadas por uma força maior a continuar mantendo contato até hoje. E essa força maior é a nossa querida amiga internet.
É claro que quando Jaqueline fez um msn, me adicionou. Afinal ela me conhecia, tínhamos histórias, havíamos estudado juntas, e esse último é um grande motivo pra alguém te adicionar no msn, acredite.
Sendo assim, é claro que quando Jaqueline fez um orkut, me adicionou.
Facebook? Claro!
Vila dos Computador? Ainda não.
E aqui estou sendo obrigada a acompanhar atualizações da vida de Jaqueline, vendo fotos do seu namorado musculoso que pulam na minha home e descobrindo que agora ela alisou o cabelo de vez.
Porém, tudo que eu queria era chegar aos meus trinta anos sem saber nenhuma verdade sobre a vida de Jaqueline desde os nossos doze anos até o dia do reencontro. Reencontrá-la e abraçá-la. Ela então me contaria as novidades: casou-se com um musculoso, virou dona de casa, teve três filhos e alisou o cabelo de vez porque seu marido musculoso curte assim.
Nos abraçaríamos novamente e ligaríamos uma pra outra uma vez por mês pra trocar novidades de nossas vidas agitadas.
Mas não, não se iluda, isso não vai acontecer.
A internet vai me contar toda a vida de Jaqueline antes que ela me conte, antes que eu a veja novamente. E se aos trinta anos a gente se reencontrar, vai ser pra trocar palavras como: “hehe, você tá mais bonita pessoalmente do que pelas fotos que eu vi no facebook, hein! hehe!”
E fim. Fim.
*Jaqueline não é o nome real dela, usei esse nome porque acho que ela tá me seguindo no twitter e talvez não curta a exposição de sua imagem.
O nome real dela é Lígia.

Não é segredo pra nenhum carioca que o apresentador/repórter/dj/ator/add aqui mais alguma profissão de sua escolha André Marques tem cada dia mais tomado conta da cidade.

Não só os cariocas, mas qualquer pessoa que está chegando no Rio de Janeiro via asfalto é recebida por uma chuva de outdoors de Zecas Pagodinhos e André Marques. André Marques está presente em tantos lugares do Rio de Janeiro que seu sobrenome já fez questão de vir no plural.

Você sai pra comprar um pão na sua rua e lá está um outdoor do André Marques fazendo propaganda de algum show.  Vai no mercado fazer umas comprinhas, e do lado de qualquer produto, seja ele de limpeza, frios, frutas e legumes ou material escolar, tá lá o André Marques sorrindo do lado. Porque não satisfeito em ser garoto propaganda de um só produto, ele é garoto propaganda do supermercado inteiro. André Marques é o garoto propaganda de uma rede de supermercados.

Já nas farmácias, André Marques possui sonhos menores, ainda não deu pra conquistar uma farmácia inteira, assim como ele fez com os Supermercados Guanabara. Nas farmácias você vê poucos Andrés Marques. Uns fazem propaganda do remédio pra dor de barriga, outros pro de ressaca, outros de shampoo.

E o mais legal é que você sai da farmácia pensando: “hehe, chega de André Marques por hoje”.  Mas a primeira coisa que faz quando sai de lá é olhar o termômetro de rua que tá marcando 40 graus Marques Pagodinhos. Mais de 50% dos termômetros dessa cidade tem uma foto do André Marques ou do Zeca Pagodinho, ou dos dois juntos fazendo propaganda de um mercado ou de um show.

Então você chega em casa e se arruma todo pra sair com sua gatinha e ir numa festa maravilhosa. Chega lá com sua gatinha linda, vai dançar e tudo mais. E quem é o DJ?

Dehhhhhhzitowwwwwwwwww  !!! (e se você der sorte, ainda encontra o Bruno de Lucca kkkk aquele parceraço)

E depois de tanta agitação, você pensa que seu André Marques day no Rio de Janeiro acabou. Que amanhã vai sair pra um bar com uns amigos e não vai ver mais nenhum André Marques.

Mas é aí que você se engana, meua migo. Ligaram a TV, tá lá Andrezinho apresentando o Video Show. Você pede um chopp, pede outro, pede outro, você bebe demais, começa a ver vários Andrés Marques na sua frente. André Marques na parede, André Marques no teto, André Marques na rua, na TV novamente. Aí  vê que isso não é um sonho, não é visão de bêbado, isso é real. Então você desmaia. É a famosa André Marques disease.

Passam algumas horas e você acorda. E quando acorda, quem tá na sua cozinha preparando um cafezinho?

Aí TUH E DEH vão pegar uma revista pra lerem juntos enquanto tomam o café,  e a revista é a revista Contigo, e o André Marques tá contigo. O André Marques tá na revista Contigo e tá contigo. Porque você é amigo do André Marques. Você não sabia disso, mas é. Por que acha que existem tantos Andrés Marques espalhados pelo Rio de Janeiro? Para que de qualquer forma habite um André Marques em você. E é isso que vem acontecendo com todos nós, cariocas. O André Marques preparando um café na sua cozinha é apenas uma metáfora pro espaço que ele tem ocupado na sua vida. Afinal, não é você mesmo quem prepara seu café? Então talvez chegue um momento em que iremos nos confundir com o própio André ou Andrés Marques.

E ainda teremos mais 1000 anos de André Marques, gente: http://bloglog.globo.com/blog/blog.do?act=loadSite&id=343&postId=16055&permalink=true

Então que nós próximos mil anos, cada um de nós possamos encontrar o melhor lado do André Marques que nos habita.

SHALOM!

Hoje pude ver um barbeiro usando como barbearia uma rua de um bairro do subúrbio carioca.

Não estou julgando seu comportamento. Quem sou eu pra julgar? Não, não sou ninguém pra julgar. A única coisa que fiz foi me perguntar por quê. Por que o homem tava usando a rua como barbearia?

Então montei aqui uma nuvem de possibilidades, embarque comigo nessa para que juntos possamos descobrir por que o barbeiro estava usando uma rua da Penha como barbearia, vamos lá, escolha sua possibilidade favorita:

1) Ele tem preguiça de limpar o chão, e fazendo a barba/cortando o cabelo de pessoas na rua, ele não precisa limpar o chão, transformando assim a Penha numa nuvem de pentelhos;

2)Ele faz isso porque quer mostrar pra todo o bairro o quanto ele é um bom barbeiro: ”OLHA COMO EU SOU FODA, MALUCO, SOU TÃO FODA QUE NÃO POSSO NEM ME CONTER DENTRO DA MINHA PRÓPIA BARBEARIA, NASCI PRA MOSTRAR MEU TRABALHO PRO MUNDO, ENTÃO POR QUE NÃO USAR A RUA COMO BARBEARIA?”;

3)Ele é apaixonado pela catadora de papelão que mora num papelão que fica do lado do espaço da rua que ele usa para barbear a galere, e assim ficando nesse espaço, ele vai estar também sempre perto da sua musa, a catadora de papelão;

4)Ele tem TOC, é maior do que ele, não dá pra controlar. Ele acorda e quando vê já tá lá barbeando as pessoas e cortando cabelos por aí no meio da rua;

5)Ele é um agente da CIA e sua missão nesse planeta é cortar cabelos no meio da rua;

6)Ele é um espírito malígno e sua missão na Terra é barbear as pessoas no meio da rua;

7)Ele faz isso simplesmente porque curte cortar cabelo/barbear os homens no meio da rua;

8)Minha mãe disse: “Roberta, sabe aquele negócio que você tava me contando do barbeiro que tá fazendo barba dos homens na rua? Então, já pensou na possibilidade de ele não ter casa, morar de favor na casa de alguém e só ter mesmo a rua pra trabalhar?”

É, acho que temos aqui uma possibilidade campeã.

2010, um ano próspero

dezembro 30, 2009

Hoje é dia 30.  Mãe Dinah certamente já fez suas previsões para o ano novo que vem vindo, já deve até ter aparecido no programa da Luh.  (da Luh: Luciana Gimenez ;  do Luh: Luciano Huck)

Ela já deve ter dito que ano passado pressentiu que um cantor pop iria morrer, que iria chover muito na região Sudeste e que se a gente não cuidar do mundo, em uns 50, 60 anos, não será possível continuar vivendo aqui não!

Bom, mas vamos ao que interessa, vamos tentar advinhar as previsões de Mãe Dinah para o ano de 2010:

*Um ator famoso irá morrer, talvez dois, talvez três (ou quatro, interprete como quiser, pois talvez 5, 6 ou nenhum), talvez um cantor também, ou cantora, ou ambos;

*Junior de Sandy & Junior irá negar que é gay;

*O filme que conta a história do presidente Lula “Lula, o Filho do Brasil” irá repercutir tanto quanto “Dois Filhos de Francisco” devido a palavra filho no título (numerologia);

*Angélica será feliz com o Luh;

*Nascerão pessoas do sexo masculino;

*Nascerão pessoas do sexo feminino;

*Morrerão pessoas do sexo masculino;

*Morrerão pessoas do sexo feminino;

*Vacas colocarão leite no estado de Minas Gerais e etc;

*Vai chover muito na região Sudeste

E se você está assustado com tantas revelações, melhor parar de ler aqui, porque a maior de todas ainda está por vir. E olha que nem é sobre 2010.

Em 1999 Xuxa Meneghel (nascida Maria da Graça Meneghel, Santa Rosa, 27 de março de 1963), cantou uma canção com os seguintes dizeres:
“Desculpe, Nostradamus, mas nós vamos sobreviver”
 Parece que temos aqui a verdadeira vidente. Volto ano que vem com as possíveis previsões de Xuxa Meneghel para 2011.

ola?

dezembro 29, 2009

Sobre Brasília

dezembro 12, 2009

Dizia ele:

-Estou indo pra Brasília. Nesse país lugar melhor não há. Tô precisando visitar a minha filha. Eu fico aqui, você vai no meu lugar.

Brasília é assim: Brasília tem uns prédios que não são um do lado do outro, e eles são jogados numas avenidas gigantes, e chamam os prédios que não são um do lado do outro de quadras. Entre as quadras, que são os prédios não um do lado do outro todos juntos, você encontra o comércio. O comércio é sempre entre as quadras, numa rua reta, que é fruto das quadras que por sua vez são frutos de prédios que se localizam NÃO-um-do-lado-do-outro, e esse comércio não é um simples comércio aleatório e tal, essa rua reta do comércio só tem UM TIPO de comércio.

Ok, vamos pular pra parte dos mendigos.

Encontrei quatro até agora, e eles são realmente muito fechados. Só o último que foi mais aberto, com um papo cabeça e tudo mais.

Eu estava dentro do carro com o sinal fechado, quando veio se aproximando um homem sujo com uma blusa escrito “FORA ARRUDA”, ele nos pediu dez centavos, segue a conversa:

-Tem dez centavos, donas?

-Tenho, pera. Ih, fora Arruda!

-Viu minha brusa fora Arruda, dona? Eu outro dia encontrei o filho da puta do Arruda aí falei pra ele: SAI SAI SAI DEVOLVE MEU DINHEIRO! Aí depois viro mendigo e os outros reclama. Aí encontrei o filho da puta do Arruda de novo e ele me deu dez centavos só, ai vai se fuder, SAI ARRUDA, SAI. Taquei os dez centavos na cara dele.

-hahaha que legal, toma aqui dez centavos, amigo. EUNICE, ACELERA QUE ELE VAI JOGAR OS DEZ CENTAVOS NA GENTE

E nesse mesmo dia, indo para o Congresso Nacional FAZER O QUE, vi uma placa gigante “VENDE-SE PAPAI NOEL”. Quer dizer.


Que cidade.

Vou aproveitar que não tem ninguém em casa e vou sair sozinha pra ver qual é , se eu nunca mais postar é porque me perdi e virei mendiga.

Pra quem quiser me achar, basta procurar uma mendiga sexo feminino com uma camiseta escrito “FORA ARRUDA” AQUELE FILHO DA PUTA depois reclama que virei mendiga.

Devo estar entre alguma quadra, que é formada por vários prédios não unidos, ou em algum prédio, em algum eixão, numa asa aí qualquer. Vai ser super fácil de me encontrar. FLW

Compro desmaios

dezembro 1, 2009

Em 1996, 1997, desmaiar era a última moda entre as meninas do colégio.
Thaís sempre desmaiava (me dava uma raiva daquela Thaís), e por incrível que pareça, Thaís sempre desmaiava nos braços de Lauro. Eu não gostava do Lauro, acho que gostava do Raphael, o gordinho. Não me lembro muito bem.
Mas Lauro era bonito, goleiro do time do colégio, por que Thaís tinha que desmaiar logo nos braços dele?
E Thaís ainda dizia que eu queria aparecer, que qualquer dia eu iria chegar no colégio com uma melancia no pescoço. Me desculpa, Thaís, mas eu só entrei no banheiro masculino pra colar chiclete no teto, e você que ficava desmaiando todo dia?
E não era só a Thaís, Raquel também.
Raquel já era a menina mais bonita do colégio, pra que ela tinha que desmaiar?
Eu não era bonita, era gorda e não sabia desmaiar.
Só Deus sabe a cruz que tive que carregar.
Mas Raquel pagou caro pelos seus pecados quando certa vez, enquanto brincávamos de adoleta, quebrei o braço dela SEM QUERER.
Eu era faixa amarela de jiu-jitsu, desculpa.

Os anos foram passando, a moda do desmaio continou. E não, eu não consegui desmaiar.
Então certa vez me revoltei. Fingi um desmaio em cima de Rodrigo.
Rodrigo não era goleiro do time do colégio, mas sabia brincar com tazos muito bem.
Ele tinha distúrbio de atenção, era gago e eu suspeitava que havia nele uma espécie de síndrome de down incial.
Mas que diferença isso faz? O que importa é que me joguei nos braços dele.
E ele não me segurou.

Porém mais uma vez os anos foram passando, eu emagreci e me transformei na quase garota mais bonita do colégio pois usava short curto e havia pintado meu cabelo de loiro, então pude entrar no grupo das garotas bonitas. E eu tinha uma pinta no rosto, o que é essencial. Já estava preparada pra desmaiar de verdade.
Então passei um dia inteiro sem comer pra ver se o desmaio rolava. Nada.

Foi aí que desisti.

Hoje em dia não penso mais nisso, mantenho minha minha mente pensante armando outros planos, como por exemplo fingir torcicolo, dor de cabeça e etc.
http://torcicolo.com.br

Acho que na verdade eu nunca quis desmaiar, só queria mesmo chamar a atenção de Rodrigo. Ele não era bonito, é verdade, mas era o campeão dos joguinhos de tazo e o MAIOR COLECIONADOR DE TAZOS DE TODO O COLÉGIO.
Me desculpa por ter me jogado em cima de você e me desculpa por ter te deixado com falta de ar, Rodrigo.
Eu não tinha culpa de ser gorda, desculpa.

Meus amigos mendigos

novembro 19, 2009

Sempre tive muita facilidade em fazer amizade com mendigos.

E o que mais me agrada nisso tudo, é que eles sempre foram amigos que não exigem abraço ou aperto de mão. Eu apenas vou na minha, chego do lado deles e digo: “AMIGÃO!” e em seguida entrego alguma moeda, alguma comida ou olhar de amizade, que cá entre nós, é quase a mesma coisa que um abração e um beijo. Pelo menos nesse caso. Afinal, você não precisa abraçar ou beijar uma pessoa pra demonstrar que sente um carinho especial por ela. PELO MENOS NESSE CASO.

Capítulo 1, Pororó:

Um mendigo especial em minha vida é o Pororó. Conheci o Pororó no mesmo dia em que conheci o Paul Banks, então olho para o mendigo e o associo às canções do Interpol, penso: “que mendigo lindo, que aparição!”

Mas a veia musical de Pororó não pára por aí. Pororó tem um tambor e Pororó é um mendigo que toca tambor pra comprar crack e maconha, não é o máximo? Pororó sustenta suas necessidades com apenas um tambor. Ah, mas se eu pudesse sustentar minhas necessidades com apenas um tambor!

Pororó é um talento real, veja aqui alguns trechos de canções do Pororó:

“Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó Pororó”

Ele faz muito sucesso. Sempre que Pororó me vê, Pororó diz: “boneca, grava meu vídeo e manda pro Faustão!” E sempre que o vejo, digo: “Pororó, esqueci a câmera!”

Pororó e amigos dia desses:

 

Também tem a Andressinha, a mendiga do hospital. (capítulo 2)

Aí você vê que eu não faço amizade com qualquer mendigo, mas sim com o mendigo músico, a mendiga do hospital.

Andressinha não se chama Andressinha, inventei esse nome pra ela porque ela não quer se identificar. Perguntei o nome dela algumas vezes e ela respondeu: “pipoca”, comprei uma pipoca pra ela e percebi que esse não era o nome dela, e sim o nome de sua fome. Então resolvi apelidá-la carinhosamente de Andressinha, uma mendiga das minha.

Se eu a apelidasse de Andressinha pipoca, segundo a rima, Andressinha seria um travesti.

Mas eu gosto da Andressinha porque ela vive ali em frente ao Hospital Getúlio Vargas e ela tá sempre com um edredon, faça chuva ou faça sol, faça 13°C ou 44°C, ela tá sempre lá com seu edredon. E sim, claro, Andressinha tá sempre falando sozinha, e é nesse ponto que eu queria chegar, por isso que ela é das minhas. Porque pra mim mendigo só é mendigo se tiver algum distúrbio mental, não levo a sério mendigos que não falam sozinhos. Por isso levo Andressinha muito a sério.

 

O último mendigo sobre quem vou falar é o mendigo do bicho. Não tenho relações fraternais com esse mendigo, mas certo dia o encontrei, ele segurou minha mão (JA LAVEI 80 VEZES, FIQUEM TRANQUILOS) e disse: “se eu ganhasse 30 reais no jogo do bicho, trocaria você por uma cachaça”

Que eu saiba a gente troca coisas que a gente tem pelas as que a gente quer ter. Só por isso tô citando esse mendigo aqui, ele é muito à frente de seu tempo, ele troca aquilo que nunca fez parte de sua vida por algo que pra sempre fará. E repare que ele disse que eu tô valendo 30 reais. Pois é.

Se eu tivesse que bater palmas pra alguém agora, bateria palmas pro mendigo do bicho.

Mas se eu não tivesse que bater palmas pra alguém agora, não bateria.

Hoje eu acordei meio bipolar

novembro 14, 2009

Todo mundo comemora aniversário. Se não comemora fazendo festa e rindo alto, comemora na mente.  Mas por que?

Assim, pra quem curte a morte, isso é algo compreensível porque quanto mais aniversários você faz, mais perto da morte você está. Mesmo que você não morra de velhice e de doenças cheias de ruga de velhice, não adianta fugir. Porque se você tá fazendo aniversário, o tempo tá passando, e se o tempo tá passando, você tá mais perto da morte, se você tá mais perto da morte, você tá o que? Você tá o que? Você tá mais perto de morrer. E se você tá mais perto de morrer, você tá mais perto do fim da vida, ou seja, aniversário é bom demais.

Não, nem curto a morte, não.

Mas não há o mínimo sentido essas pessoas ficarem com aquele discurso de “ah, pra que comemorar aniversário?” e blablabla “aniversário me deixa mais perto da morte” e blablabla. Nada a ver isso, né? NADA A VER.

Isso de terem roubado o número do meu prédio não é nenhuma novidade, é um assunto que tenho abordado cada vez mais na minha roda de amigos. roda2

 

 Sempre que tô chegando no meu prédio, vejo lá na parede o número 1 7.  Acho normal, dezessete é um número bacana, morar no número dezessete é show. Mas na verdade o número do meu prédio é 171. 

 A questão é: por que diabos um ser humano roubaria um número 1 de metal?

 No primeiro momento pensei: “ah, o cara fez isso pra trocar por drogas!” Mas imagina o cara chegando lá na boca de fumo com um número 1 na mão falando: ”AE, ZÉ PEQUENO, ME PASSA AE OS CRACK QUE EU TROUXE UMA RELÍQUIA PA TU! EU TROUXE UM NÚMERO DE METAL AE PRA VOCÊ UHUUUU!!!”

Não consigo imaginar muito bem essa cena, então começo a pensar que fizeram isso por puro esporte. “João Carlinhos não tinha nada pra fazer em casa, então o que João Carlinhos fez? João Carlinhos foi lá zuar com sua galere tomando muita cachaça e roubando os números dos prédios da vizinhança.” Acredito mais nessa versão.

E olha a força que o ser humano teve que fazer pra arrancar o número 1! Até dá pra ver que ficou um vestígio, um parafuso esquecido ali e tal.DSC01904

 

Se fosse só essa questão do número do meu prédio, tudo bem. Mas não. Passei os 2 últimos anos da minha vida com problemas no telefone e internet, porque resolveram roubar vários tipos de cabos da minha rua, cabos telefônicos e etc.  Me diz pra que um ser humano pega cabos telefônicos da rua, me diz. Seria por puro esporte ou seria pra trocar por drogas? Ou seria por que mais?

Aí fico imaginando o cara chegando lá na casa do traficante: “ELIAS DOIDÃO, TROUXE UMA PARADA AE QUE VAI FAZER TU ME DAR MAIS DE 5KG DE COCAÍNA, UMA PARADA SOBRENATURAL! TROUXE CABO TELEFÔNICO, AEEE UHUUUU!”

E se fizeram isso por puro esporte, haja amor ao esporte! Porque imagina o trabalho que o indivíduo teve pra roubar os cabos telefônicos.

E agora a mais nova! Roubaram pedaços do TETO do meu prédio! Você tá duvidando? Então veja só:

DSC01905

(repara na barata coadjuvante)

Não, juro pra você que o teto não caiu. Ontem ele estava ali no seu devido lugar, mas hoje acordei e ta-ram, cadê o teto do meu prédio?

 E não, não consigo imaginar nenhum viciado tentando levar um pedaço do teto do meu prédio pra trocar por heroína. É demais pra minha imaginação. Só fica aqui a pergunta: por que diabos um ser humano roubaria o teto de um prédio?

Bom, só sei que vou ficar uns dias em casa, vai que amanhã resolvem roubar a moradora do segundo andar do prédio pra trocar por droga, ou pior, trocar por prostituição. É, vou ficar aqui na minha, na espera de que amanhã, seja por puro esporte ou seja por crack, que roubem os 7 gatos com lepra que ficam miando e cruzando na garagem do meu prédio.

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